Minoxidil por via oral – você sabe mesmo tudo sobre ele?

O minoxidil é um derivado da pirimidina que foi aprovado em 1979 pela agência norte-americana Food and rug Administration (FDA) para o tratamento de hipertensão. Porém, posteriormente, passou a ser utilizado no tratamento da alopecia androgenética (AAG) e na alopecia de padrão feminino (APF), quando se constatou o aumento do crescimento capilar como efeito secundário do insumo farmacêutico ativo (IFA).

Atualmente, é comumente administrado na forma tópica através de solução. Entretanto, existem alguns estudos preconizando a utilização de baixas dosagens de minoxidil via oral para o tratamento de queda do cabelo, conforme resumos a seguir:

 

Female pattern hair loss: a pilot study investigating combination therapy with low-dose oral minoxidil and spironolactone

Sinclair, R. International Journal of Dermatology, 2017.

De acordo com Sinclair, em seu artigo “Queda de cabelo de padrão feminino: um estudo piloto que investigou a terapia combinada com minoxidil oral em baixa dosagem e espironolactona” (tradução livre), o minoxidil oral não é frequentemente usado no tratamento da alopecia androgenética, principalmente por causa dos perfil de efeitos adversos observados em doses padrão; no entanto, quando o tratamento é realizado com dosagens off label (metade ou um quarto do comprimido de 10mg), pôde-se observar uma melhora notável na densidade do cabelo na maioria das mulheres que participaram do estudo (n=100). Efeitos adversos como hipotensão, retenção de líquidos e hipertricose foram relatados.

Como os efeitos adversos do minoxidil oral estão todos realacionados à dose, associou-se minoxidil oral extemporaneamente em cápsulas contendo 0,25mg de minoxidil e 25mg de espitonolactona (para reduzir o risco de retenção de líquidos); para mulheres com pressão baixa, também foram adicionados à cápsula 50mg de cloreto de sódio.

Este tratamento supracitado foi bem tolerado na maioria das pacientes com alopecia de padrão feminino e pode ser considerado uma alternativa razoável em mulheres intolerantes ou pouco dispostas a usar o minoxidil tópico. A maioria das mulheres do estudo notou uma redução na queda de cabelo em 3 meses e um aumento da densidade capilar em 6 meses após o início do tratamento.

 

 

 

Treatment of chronic telogen effluvium with oral minoxidil: A retrospective study

Perera, E.; Sinclair, R. F1000 Research, 2017.

Sinclair também publicou junto ao colaborador Perera o artigo “Tratamento do eflúvio telógeno crônico com minoxidil oral: um estudo retrospectivo” (tradução livre).

O estudo foi realizado com 36 mulheres tratadas com uma dose diária de minoxidil oral (faixa de dosagem de 0,25mg a 2,5mg) para o tratamento do eflúvio telógeno crônico. Dessas, 5 mulheres relataram tricodinia, que melhorou ou desapareceu em 3 meses. A alteração média da pressão arterial foi de menos de 0,5mmHg sistólica e mais de 2,1 mmHg diastólica. Duas pacientes desenvolveram tontura postural transitória que desapareceu com o tratamento continuado. Uma paciente desenvolveu edema de tornozelo. 13 mulheres desenvolveram hipertricose facial e nenhuma paciente apresentou qualquer anormalidade hematológica. As 36 mulheres completaram 12 meses de tratamento e os resultados obtidos demonstraram que, na maioria das mulheres (31), o escore de queda de cabelo melhorou após 6 meses de tratamento com o minoxidil oral.

 

Treatment of monilethrix with oral minoxidil

Sinclair, R. JAAD Case Reports, 2016.

Um terceiro artigo, do mesmo grupo de pesquisa, descreve o “Tratamento de moniletrix com minoxidil oral” (tradução livre).

Moniletrix é uma genodermatose autossômica dominante caracterizada por fragilidade capilar, queratose pilar e perolização patognomônica da haste capilar. A fragilidade do cabelo pode levar à quebra do cabelo e ao aparecimento de perda de cabelo generalizada.

O autor relata dois estudos de caso nos quais mulheres na faixa etária dos 35-40 anos, diagnosticadas com moniletrix desde a infância, são tratadas com minoxidil oral na dose de 0,25mg a 0,5mg. Os resultados obtidos demonstraram que o minoxidil oral foi um tratamento promissor para a perda de cabelo associada à moniletrix. Quando usado em baixa concentração parece ser bem tolerado; no entanto, pacientes que recebem o tratamento a longo prazo deve ter a pressão arterial e o pulso monitorados regularmente, uma vez que o minoxidil oral está associado a hipotensão postural e taquicardia. Geralmente, esses efeito adversos, bem como a retenção de líquidos, estão associados apenas a dosagens mais altas do fármaco. A hipertricose facial pode ocorrer tanto com o minoxidil em uso tópico quanto em uso oral e está relacionada à dose.

 

 

Conclusão

Diante do exposto nos três artigos supracitados, observa-se que o uso de baixas dosagens de minoxidil por via oral para o tratamento de perda de cabelo (por diferentes causas), apresentou resultados positivos promissores para este fármaco que já é amplamente utilizado para o tratamento de disfunções capilares na forma tópica.